Uso de piercing na língua, o que é preciso saber.

A utilização de piercing em diversas partes do corpo é um modismo comum entre os jovens. No entanto, o uso desses adereços pode provocar uma série de agravos à saúde.

Pesquisa inédita, realizada pelo Prof. Dr. Artur Cerri (Especialista, Mestre e Doutor em Estomatologia pela USP, Professor Titular da Disciplina de Estomatologia da Unisa) e Prof. Dr. Carlos Eduardo Xavier dos Santos Ribeiro da Silva, Especialista e Mestre em Estomatologia, Doutor pelo Departamento de ORL/CCP da Unifesp, Professor Doutor das Disciplinas de Estomatologia e Pacientes Especiais da Unisa), publicada na REVISTA DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS 2008; 62(6):438-43, alerta para necessidade do cirurgião-dentista orientar seus pacientes e a comunidade a que pertence sobre os malefícios causados pela utilização de piercing na boca.

Os resultados obtidos na pesquisa demonstram que 100% dos pacientes possuem alguma alteração tecidual na região de inserção do piercing. Essas alterações vão desde um simples processo inflamatório crônico inespecífico (Figura 3), sem maiores conseqüências aparentes, até casos de lesões consideradas cancerizáveis como a leucoplasia e displasia epitelial.

Na revisão da literatura, encontramos casos de fraturas dentais causadas pelo uso de piercing na cavidade oral, retrações e destruição gengival, um caso clínico de endocardite Bacteriana, casos de hemorragia de grandes proporções causada pela colocação de piercing na língua, além de dor, perda de paladar, inchaço, acúmulo de cálculo dental e dificuldades na fonação e secreção purulenta.

Martinello & Cooney (2003) relatam o caso de um paciente que foi a óbito por abscesso cerebral quatro semanas após a colocação de um piercing na língua, cuja cultura comprovava a provável origem oral da colonização bacteriana.

Conclusão

O presente estudo permitiu as seguintes conclusões:

- Todos os pacientes estudados apresentaram algum tipo de alteração tecidual na área de inserção do piercing na língua;

- O Processo Inflamatório inespecífico foi a alteração mais prevalente com 55% de casos;

- A leucoplasia, com 5% dos casos, comprometeu 2% dos pacientes fumantes e 3% entre os pacientes que fumavam e ingeriam bebidas alcoólicas;

- A Hiperplasia Fibro-Epitelial foi a segunda alteração mais prevalente com 19% dos casos;

- Os pacientes que fumavam e ingeriam bebida alcoólica apresentaram o maior número de alterações.

              

Figura 1
Biópsia realizada com punch. 
Figura 2
Relação do tecido removido com o piercing.
Distúrbios da Cavidade OralDistúrbios da Cavidade Oral
            
Figura 3
Papiloma no dorso da língua.
Figura 4
Processo ulcerativo ao redor do piercing no ventre da língua.
Distúrbios da Cavidade OralDistúrbios da Cavidade Oral

Categoria: Distúrbios Cavidade Oral

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